quinta-feira, 14 de junho de 2012




Como envelhecer
                                                                             Bertrand Russel
                   Este artigo, apesar do título, deveria se chamar “Como não envelhecer”, o que, em minha opinião, é um tema muito importante.
                         Meu primeiro conselho é escolher cuidadosamente os antepassados, pois apesar de ter perdido meus pais ainda jovens, eu me informei  bem sobre tudo que diz respeito aos meus outros antepassados. Minha avó materna deixou-nos na flor de sua juventude, isto é, aos 67 anos. Mas meus outros três avós viveram até depois dos oitenta. De meus antecessores mais remotos eu pude somente descobrir um que não viveu até a velhice e morreu de uma doença rara nos dias de hoje : foi decapitado.
                        Uma bisavó minha, que foi amiga de Gibbon, viveu até a idade de 92 anos e dizem que até o seu último dia de vida não parou de fazer suas atividades cotidianas. Minha avó materna, após ter tido 9 filhos que sobreviveram, um que morreu na infância e vários abortos, logo que enviuvou começou a se dedicar a uma melhor educação para a mulher. Foi uma das fundadoras do Girton College e trabalhou muito para tornar aceita a profissão médica para mulheres. Ela costumava contar, por exemplo, como se encontrou na Itália com um cavalheiro idoso que estava muito triste. Ela então perguntou-lhe por que ele estava tão melancólico e ele respondeu-lhe que dois netos seus tinham viajado. Ela então exclamou: “Oh Deus!  eu tenho 72 netos e se eu ficasse triste cada vez que eu me separasse de um deles, eu teria uma existência miserável!” “Mãe desnaturada!”, exclamou o ancião. Eu, particularmente, falando em nome dos 72 netos de minha avó, prefiro a sua maneira de ver as coisas. Esta avó, depois dos 80 anos começou a ter dificuldade para dormir. Então habituou-se a ler livros sobre ciência da meia-noite até as três da manhã. Não creio que ela tenha tido tempo de notar que estava envelhecendo. Isto, penso eu, é a receita certa para continuar sempre jovem. Se você tiver interesses intensos e se entusiasmar com atividades que lhe agradem e que sejam úteis, você não terá nenhuma razão para pensar no simples fato estatístico do número de anos que você já viveu, menos ainda, do seu provável curto futuro.
                         Quanto à saúde, não tenho nada de muita utilidade a dizer, porque tenho pouca experiência com doenças. Como e bebo o que gosto e durmo quando não consigo ficar acordado. Eu não faço as coisa pensando que fazem bem à saúde, mas por sorte eu gosto de fazer as coisas saudáveis. Psicologicamente, existe dois perigos que devem ser evitados contra a velhice. Um deles é absorver-se demais pensando no passado. A gente não deve viver de recordações, lembranças dos velhos tempos ou de tristezas por causa dos amigos que já se foram. Nosso pensamento deve estar dirigido para o futuro e para as coisas pelas quais podemos fazer algo útil. Isto nem sempre é fácil; nosso próprio passado vai sempre aumentando de tamanho. É fácil pensar em nós mesmos, que nossas emoções costumavam ser mais ativas do que são hoje e que nossa mente era mais ágil. Se isto é verdade, deve ser esquecido e se for esquecido, provavelmente não será verdade. Outra coisa que deve ser evitada é pendurar-se nos jovens na esperança de captar as forças de sua vitalidade. Quando seus filhos se tornarem adultos, eles vão querer viver suas próprias vidas e se você continuar sempre interessado neles como acontecia quando eles eram adolescentes, tenho certeza que você vai se tornar um peso para eles, a menos que eles sejam insensíveis. Eu não digo que não se deva ter nehum interesse por eles, mas o interesse deve ser contemplativo e nunca muito emocional. Os animais tornam-se indiferentes aos seu filhotes logo que estes conseguem se defender sozinhos, mas o ser humano, por causa de uma infância comprida, acha isso bem mais difícil.
                                Creio que uma velhice feliz é mais fácil para aqueles que têm fortes intereese impessoais (como um “hobby”) levando-os a terem atividades bem agradáveis. É nesta esfera que uma longa experiência pode ser frutífera. A sabedoria nascida da experiência pode ser usada sem que nos tornemos um peso para os outros. Não se deve dizer a filhos adultos que els estão cometendo erros porque, antes de tudo, eles não vão crer em você e depois, erros são uma parte da educação do ser humano.   
                                 Mas se você é uma dessas pessoas incapazes de ter interesses não pessoais (um hobby), você  vai achar que sua vida será vazia se não se preocupar com tudo que disser respeito a seus filhos e netos

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