*Pesquisa feita por Gladis Russowsky .Krimberg - agosto/1993.
JUDEUS ALSACEANOS NO (RS) BRASIL
Quando iniciei esta rápida pesquisa sobre a vinda de judeus alsaceanos para o Brasil no século passado, questionei-me sobre a Alsácea Lorena e o porquê da vinda de judeus daquela região da França. Então fui aos livros de História Geral para situar a região, problemas da época e seus habitantes:
Em 1870-1871 houve a Guerra Franco-Prussiana que foi uma das conseqüências da Unificação Alemã acontecida em 1866. Depois de um ano de guerra, os alemães venceram a França e os dois países assinaram um armistício. Houve também a assinatura do Tratado de Frankfurt que obrigou a França a pagar uma alta soma em dinheiro aos alemães e entregar à Alemanha a região da Alsácea e parte da Lorraine. Foi nessa época que um grande número de judeus alsaceanos começou a chegar à América do Sul. Muitos ficaram no Rio de Janeiro ou foram para São Paulo e norte do Brasil, mas centenas deles vieram para o sul e se assimilaram. Isto tudo, bem antes da chegada dos imigrantes judeus russos trazidos pela ICA no início do século XX.
Através de uma informal pesquisa oral, confirmada na maior parte em material escrito e editado, tomei conhecimento que, em 1896, quando meu bisavô materno Salomão Levy, judeu marroquino chegou a Porto Alegre com a esposa Sarah Dray Levy, judia portuguesa e as duas filhas nascidas em Portugal e São Paulo,juntamente com seu amigo de infância, Samuel Barros (também nascido em Marrocos) e família, já havia na cidade alguns rapazes judeus oriundos da região francesa Alsácea-Lorena. Eram, na maioria, rapazes solteiros fugidos da guerra franco-prussiana, empregados de firmas francesas exportadoras ou representantes de algum negociante de joias que vinham ao Brasil trabalhar, em busca do sonho de uma vida estável no Novo Mundo, sem o anti-semitismo, que estava latente na França com o caso Dreiffus. Muitos vieram para serem comerciantes, embarcando em navios cargueiros que partiam dos portos de Bordeaux e Le Havre rumo à América. Centenas deles seguiram diretamente para Montevidéu e Buenos Aires.
Em Porto Alegre eles (alsaceanos e franceses de outras regiões também) chegavam sem conhecer ninguém, quase sempre escondendo sua descendência judaica, aos poucos assimilando-se, ao casarem com moças cristãs na Igreja Católica ou Protestante. Os que aqui ficaram eram, na maioria, ourives e joalheiros.
A família Aaron, por exempo, tinha uma joalheria (a mais fina da época) na rua dos Andradas (onde depois foi a Casa Safira, de tecidos). Pertencia a Moysés e Emile Aaron que freqüentavam a casa de meu avô ,Dr. Léon Back, para conversarem em francês sobre o passado na Alsácea. Aqui eram completamente renegados, casados na Igreja Cristã assim como suas filhas e filhos. Outras informações que consegui: sobrenomes de antigas famílias radicadas no Rio Grande do Sul, como Calderón e Pereiron (em Pelotas) são de imigrantes judeus alsaceanos assimilados. Filhas daqueles Aaron (completamente assimiladas) casaram com rapazes de famílias conhecidas na sociedade; sobrenomes conhecidos como Ibañes, Daudt (donos da antiga Casa Bethoven,na Galeria Chaves) e Hecker, mãe do Dr. Paulo Hecker e avó de Paulo Hecker Flho são descendentes dos primeiros judeus alsaceanos que se assimilaram..
Bibliografia:
Dicionário Bibliográfico, Os judeus no Brasil no final do séc. XIX.
Egon e Frieda Wolff ( II) - Rio de Janeiro,1987
Dicionário Bibliog´rafico. Processos de Naturalização de Israelitas –
Séc. XIX, Rio de Janeiro, 1987.
Entrevista com Dr. Lén Back – 1962
Entrevista com Dr. Joely Back - 1992
*Pesquisa feita por Gladis Russowsky .Krimberg - agosto/1993.
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