terça-feira, 24 de abril de 2012


Nós Nascemos Antes

Nós nascemos antes da televisão

Antes da penicilina, da vacina Sabin.

Antes da comida congelada; e da fralda descartável.

Dos xerox, dos plásticos e da pílula.

 Nós nascemos antes do radar, dos cartões de crédito, do raio laser.

Nascemos antes das máquina de lavar, cobertores elétricos e ar condicionado.
Nós nascemos antes do homem pisar na lua.

Nós casávamos primeiro e depois íamos morar juntos.
Gente estranha, não?
Nós nascemos antes das mulheres trabalharem fora e dentro de casa.
Da produção independente de filhos, das creches, das terapias de grupo.
Nascemos sem ouvir falar em fitas cassete, vídeo game e transplante de órgãos.
Nascemos antes dos rapazes usarem brincos. As moças calças compridas.
Nos nossos dias fumo era cigarro, erva era usada para chá.
Coca era refrigerante, e pó sujeira.
Embalo era como se fazia crianças dormirem, lambada era chicotada,
fio dental servia para higiene bucal e malhar era coisa de ferreiro.
Nós fomos a última geração, tão boba a ponto de pensar que
se precisava de um marido para ter um bebê.
Mas nós vivíamos.
Sim, nós vivíamos e continuaremos a viver, apesar da última invenção.
                                                                    ("Lembranças")

sexta-feira, 20 de abril de 2012



A História da Sinagoga de Jerusalém:
(Um capítulo da história da família Back)

Através de história oral e alguma documentação escrita do Prof. Léon Back cataloguei esta história sobre seus antepassados Back que chegaram à Palestina em fins do séc. XIX.
Vovô Léon contava aos filhos e depois aos netos a história de um trisavô dele que vivia na Palestina, o Rabino Nissan Back que depois de sair de Safed chegou a Jerusalém (1843?) e comprou um terreno para construir uma Sinagoga.

Assim N. Back iniciou a construção de um lindo Templo na época em que a Palestina estava sob o domínio otomano. Quando a torre do templo estava sendo erguida, houve um grande problema.
O Governador Turco baixou um decreto que nenhum prédio israelita em Jerusalém poderia ser mais alto do que o Palácio do Governo Turco.

Nosso antepassado, o Rabi Back ficou desesperado, porque o projeto da torre da sinagoga era tal, que o templo ultrapassaria em altura da casa do   governo
(ou a mesquita,  não me recordo bem...)  .
Enquanto o rabino pensava e estudava como fazer para resolver o problema, chegou à Jerusalém, para uma visita oficial ao governante otomano, o Imperador Francisco José da Áustria. E foi aí que o rabi conseguiu terminar sua sinagoga.
Back, além de respeitado pelo governador turco por sua sabedoria, era muito amigo do imperador austríaco. Na visita de boas vindas que fez ao monarca, relatou seu problema.
Francisco José ouviu o amigo e decidiu ajudá-lo. Deu ao rabino uma bandeira austríaca e mandou que ele hasteasse-a na torre da sinagoga e continuasse sua construção, porque assim o prédio da sinagoga estaria em território austríaco.

O rabino Back correu levando a bandeira e fez o que o imperador sugeriu. Em seguida continuou a construção como havia sido projetada. Os turcos não disseram nada e a Sinagoga Nissan Back ficou pronta.
Dizem que a bandeira da Áustria permaneceu por muitos e muitos anos no topo da torre do templo.
Mais de cem anos se passaram, Jerusalém foi dividida e, a Sinagoga ficou do lado árabe.

“Em 1967 com a reunificação de Jerusalém descendentes da família Back foram procurar a sinagoga e a encontraram! Estava semi- destruída. Os árabes a utilizaram como hospedaria, estrebaria e mictório.”

Com o auxílio do governo, membros da família conseguiram restaurar o prédio. Anos atrás (198...) uma sobrinha do Vovô Léon nos enviou uma fotografia onde ela aparece frente ao muro da Sinagoga. Ela está apontando para uma placa onde se lê claramente: Sinagoga Nissan Back. Familiares nossos em viagem a Jerusalém foram até o local e também a encontraram. Está numa zona da cidade antiga, e hoje não sei se ainda funciona como sinagoga, porque não temos tido mais contato com as novas gerações Back que vivem em Israel e na França. A última tia que mantinha correspondência comigo faleceu aos 85 anos em 1984 ou 85. Era a tia Marguerite Back, cunhada de Léon Back, que vivia em Paris.
Em 1997 no aniversário de 50 anos de Israel estivemos em Jerusalém e tentei encontrar a sinagoga, mas nossa guia nos disse que ela teria que procurar o local exato na cidade velha. Não tivemos tempo e não cheguei a conhecer o templo.
               
                                                                                                  * Gladis Krimberg
_______________________________
* Pesquisando sobre nossos antepassados na Internet, em 2008 Beatriz Back e eu chegamos  a este Blog:
Rabbi Yonah blogs at Jewlicious.com, and Blogshul.com

O Rabi confirma quase todos dados da História Oral que meu avô Prof. Leon Back nos contava. Tenho esperança que ainda vamos completar este quadro genealógico que vem desde as antigas Cruzadas.

  Quinze anos
                               Para minha neta Julia
               
Minha adorada Julinha,
Minha neta querida!
Na vida existem momentos especiais
Momentos que marcam a felicidade
De ser jovem e ter 15 anos!
O botão de rosa transformou-se.

Surgiu uma  jovem sorridente e linda
Que a vó olha e se derrete de amor!
Tens em mim a vó que te ama
E está sempre pronta para te dar um colinho,
Uma amiga para todas as  horas

Julinha,
Aquela menina quieta falando baixinho,
Transformou-se na jovem companheira e
Amiga desta vó que cada vez te ama mais.
A neta meiga que passa as tardes conversando comigo,
Dormindo na minha cama e mexendo na Internet.
Minha querida,
Teu jeito meigo de ser eu  conheço bem,
Tu escolhes as  palavras para ver os outros em paz.
Cresceste e hoje beijo uma moça linda!

 Jú!
Sonha o que queres sonhar!
Procura na vida o que te faz bem
Tens uma cabecinha muito séria
E tua vida vai ser aquilo que fazes dela.
Lembra sempre das amigas que confias,
Não esquece nunca do carinho de hoje e de
Sempre que recebes da mãe, do pai, da vó e do vô,
E dos gritinhos alegres do irmãozinho que adoras!

Todos nós queremos  te ver feliz
Quinze anos é uma data florida
Quinze anos é uma época especial e cheia de surpresas.
Procura não perder as oportunidades que tiveres
Para iluminar a vida das pessoas que precisam de ti.

 Algum dia, no futuro,
Vais lembrar desta época de primavera.
Hoje dormir um dia inteiro, rir com as amigas,
Ouvir tuas músicas preferidas
Fazem o teu mundinho risonho!
Aproveita tudo,  porque 15 anos
Marca um sonho realizado..

E guarda esta folha com estas linhas numa caixinha,
Porque minhas palavras vieram do coração.
E num futuro distante, quando sentires saudade desta velha amiga!
Lê de novo meus versos e lembrarás esta época
Quando nossa convivência é tão tranquila e gostosa!

                                                                             Junho de 2009

terça-feira, 17 de abril de 2012

Minimamente feliz!
A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase, há anos,  num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar.
Eu já suspeitava que felicidade com letras maiúsculas não existia, apesar  de que desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo.
Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.
 

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um por do sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. Alguns crescem esperando a felicidade com letras maiúsculas e na primeira pessoa do plural. Mas no meio da jornada, se descobre que dá para ser feliz no singular: Quando estou na estrada  dirigindo e ouvindo as músicas que  eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto sozinha, sinto um bem estar indescritível.

Uma amiga que conheci recentemente  me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado ele perguntou com quem ela estava conversando: Comigo mesma, respondeu. Adoro conversar com pessoas inteligentes. Esta resposta foi demais minha gente!
Trocando os roteiros fantasiosos da adolescência  por prazeres mais simples, aprende-se duas lições básicas: Podemos viver momentos ótimos conosco mesmas e não tem sentido esperar que algo mágico nos faça feliz..
Aquela história de “quando eu ganhar...”, “quando eu me casar”, “quando eu tiver filhos”, “quando meus filhos crescerem”, “quando tiver um emprego fabuloso” ou “quando encontrar um homem que me mereça”, tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de HOJE.

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra a calculadora para ir somando o número de pequenas felicidades que vamos acumulando durante nossa vida. Por isso eu repito: Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.
                                                                                                
          (Uma mulher feliz)










Uma poesia de dez anos atrás!

Já tens 13 anos 
                         Ao meu neto Daniel
A vida é um  presente!
Um presente de Deus...
Mesmo que ela, às vezes,
Nos reserve surpresas ou
Momentos desagradáveis,
As coisas boas que ela nos dá
São sempre maiores...
Por isso que gosto da vida que levo,
Gosto de ver todos crescerem
Felizes, em volta da minha vida!
   
E hoje é o teu dia Dani!
O dia de tua Barmitzvah,

Se ontem eras um bebê
Que passavas de colo em colo,
Na casa da vó, festejando Brit-Miláh,
Hoje crescestes lindo
Comemorando tua Barmitzvá!
Meu pensamento quer voltar atrás,
Tentando reconstruir a vida do
Bebê gordinho, de olhos escuros...
O menininho assustado e sem sono,
Que me telefonava à noite, e pedia:
“Vó, canta um pouco pra mim dormir?”
 

 13 anos!
Hoje vejo diante de mim
O menino lindo em que te transformaste!
Um adolescente sério e criativo.
Te mostramos que na vida temos que fazer escolhas
Escolhas, que às vezes , dependem de oportunidades...

Dos conselhos da família e dos professores...
Tua cabecinha pensa e teu coração decide!

Que bom que és assim!
O rapazinho de terno e gravata
Por quem as meninas já suspiram...
O esportista
Que com sua força pilota seu barco
E já é um campeão...

Ah Dani! Às vezes procuro as mãozinhas gorduchas,
E me abraçam umas mãos grandonas.
Vais continuar a crescer, mas,
Sempre terás quando precisares,
Da vó, um colinho macio!


Hoje, quando te vi diante  da Toráh
Emocionada me orgulhei de ti!
Sei que teu bisavô seria louco por ti!

E sei que o vô nem consegue falar!.
Mereces ter o nome do meu pai,
Já tenho mais um homem pra me proteger!
Mais um amigo para me ouvir...

Hoje cantamos, dançamos e rimos contigo!
O futuro logo será teu presente.
E sinto que vais vencer os obstáculos!
Sei que com tua garra conseguirás o que procuras...
E nós, o vô e a vó , só torcemos para que chegues lá!

                                       Vó Gladis/agosto de 2002










Um longo curto tempo passou...
                        Para Bruna, miha primeira neta
                                Maio / 2001

15 anos...
E hoje parece que ainda é ontem.
Sinto em meus braços o  calor
De um  bebê lindo e pequenino,
Naquela tarde fria de maio
Meu coração se abriu para mais um amor
Tua imagem e tua meiguice
Me prenderam desde tuas primeiras horas de vida
Meu amor de vó nasceu contigo,
E , sem dúvida nenhuma, vai durar para sempre!
........................................................................................
15 anos se passaram!
Meus braços e meu coração continuam teus!

Teus e de todos meus amados netinhos.
De menininha linda e tímida
Te transformaste em menina flor!
Linda no  nome , no rosto e no coração!
Teu sorriso me faz sorrir e
Teu pranto me faz chorar...
Já não pedes somente proteção...
Teus pedidos às vezes me fazem tremer ..
Já não te consideras uma menininha
Já te sentes uma mulherezinha
Ãs vezes meiga e muitas vezes exigente!
Sei que te sentes mulher e queres viver!

Os segredos entre amigas e os
Primeiros namoradinhos fazem parte desta data.
Os conselhos da mãe parecem estranhos e um pouco “idiotas”!
A cada dia tua mãe repete e repete:
Não te precipites...vai devagar... me ouve...
Mas...
Um beijo roubado, um carinho do menino,
Como é bom ter 15 anos!

Hoje estás tão bonita que meu coração
Bate descontrolado qundo olho para ti!
Quero que entendas que beleza sozinha não é felicidade...
As melhores amigas são ótimas,
Mas antes, ja dizia mimha avó,
Amiga de verdade é a mãe, e quem sabe, esta vó também!

Hoje és uma adolescente que desabrocha,
E em muitos momentos de tua vida
Terás que eleger o certo e deixar
O  errado para trás....
Terás que  escolher o não tão bom
Porque o bom não éo certo...

Bruna amada!
Todos nós queremos te ver feliz
Bruna querida,
A mami, o papi e esta vó que te ama
Querem te ver feliz
Muitas vezes te irritas com conselhos, conselho e conselhos..
Horários,horários e horários...
Aguenta firme meu amor,
Porque tudo isso é para não te machucares no caminho da vida...

Tuas amigas te adoram porque és
Aquela amiga de verdade
Tuas professoras só te elogiam porque és uma boa aluna.
Querida Bruninha,
Continua como és e sei que será feliz!

O bebê cresceu, tornou-se menina,
O botão de rosa abriu e apareceu a rosa flor!
E aquele amor que nasceu quando tu nasceste
Não mudou em nada,
Tu cresceste e eu envelheci um pouco....
Hoje,
minha linda boneca,
Nos momentos felizes e nas horas difíceis
podes contar comigo!

Mais que avó sou tua velha amiga!
                       


Como surgiu a expressão "Tchê"!

Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos de Jesus. Todos na casa do sumo sacerdote reconheceram Pedro como discípulo de Jesus pelo seu jeito "Galileu" de se expressar.

No Brasil também existem muitos regionalismos. Quem já não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?
Essa expressão, própria dos sulistas, tem um significado muito curioso.
Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".

Há muitos anos, antes da descoberta do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso, o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.
Por essa razão, a linguagem falada no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade" e assim por diante.
Uma forma comum das pessoas se referirem a outra era usando interjeições também religiosas como: "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.

Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (se lê Tchê) que era uma abreviatura da palavra  caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu. Eles usavam essa expressão para expressar espanto, admiração, susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também serviam dela para chamar pessoas ou animais.
Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, vizinhos dos argentinos e uruguaios, acabaram importando para a sua forma de falar. Portanto, exclamar “Tchê” ao se referir a alguém, significa considerá-lo alguém “do céu”.
Que bom seria se todos se tratassem assim Considerando uns aos outros como gente do céu!

                                                                      (Rodrigo P.Silva e Lisliê V. Silva Inspiração Juvenil 2005)

quinta-feira, 12 de abril de 2012


 






ACEITAR
 

Hoje estava fazendo uma análise dos  problemas que nos acontece e comecei a pensar que muitas vezes precisamos aceitar as coisas e as pessoas como elas são!
De verdade! Se quisermos modificar qualquer aspecto da nossa vida e de nós mesmos devemos começar aceitando...


É difícil aceitar muita coisa: uma perda material ou afetiva, uma traição, uma dificuldade financeira, uma doença, uma humilhação.Mas muitas vezes, a aceitação é um ato de boa vontade, mente aberta, sabedoria e humildade, pois ao contrário de que muitos pensam, a vida em si, não está  somente
sob o nosso controle.

Ser resistente, brigar, revoltar-se, negar, deprimir, desesperar, culpar-se são reações emocionais muito comuns, carregadas de raiva. E raiva do outro, raiva de si mesmo, raiva da vida, destrói, fere, desagrega.
Aceitação é colocar-se frente à dificuldade sob outro ângulo, sob outro prisma. Sem o peso que nós colocamos ou imaginamos ter.
 
Mas eu acredito que a ACEITAÇÃO precisa acontecer dos dois lados, porque tudo é movimento. Nada é permanente. Nossa tendência “natural” é resistir, não aceitar, combater tudo o que nos contraria e o que nos gera sofrimento.
Quando não aceitamos nos tornamos amargos, revoltados, aprisionados, frustrados, insatisfeitos, cheios de rancor e tristeza, e esses padrões mentais e emocionais criam mais dificuldades, nunca trazem solução, nem pra você nem para o outro, mesmo
quando achamos que os outros ou as coisas são responsáveis pelos acontecimentos.

É fundamental entender que aceitar não significa desistir e seguir adiante com otimismo. Aceitar se refere ao momento presente, ao agora.
No instante que você aceita, você se entrega ao que a vida quer-lhe oferecer e começa agir com mais tranqüilidade

Quer ser feliz?
Aceite! Não se esqueça: você só pode mudar você mesmo.
Só você é responsável por tudo que lhe ocorre e sente.
Desejo aos meus amigos leitores  muita paz no dia de hoje.                        

Gladis K.


 Ame com qualquer idade


 
Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos 
e tascamos-lhe aquele beijo estalado . 
E assim, vamos ganhando tempo,
enquanto envelhecemos.

Nos damos conta que perdemos 
também o brilho no olhar, 
esquecemos os nossos sonhos, 
deixamos de sorrir ... 
perdemos a esperança.
 

Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos . 
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo,
mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, 
sintam-se amados mais do que saibam-se amados.
 















02 de setembro de 1959 - Bodas de Ouro de Léon e Alegria Back  com os filhos e netos
 
“PAI, COMEÇA O COMEÇO!”

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia:
- “Pai, começa o começo pra mim? ”.
O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.
Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.
Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.
Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis...
Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para “começar o começo” era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta.
O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:
“Pai, começa o começo!”. Ele não só “começará o começo”, mas resolverá toda a situação para você.
Não sei que tipo de dificuldade eu e você encontraremos pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso:
     “Pai, começa o começo!”.

                                                                                                                          (Autor desconhecido)
 




 *Pesquisa feita por Gladis Russowsky .Krimberg - agosto/1993.
JUDEUS ALSACEANOS NO (RS) BRASIL
                           
Quando iniciei esta rápida pesquisa sobre a vinda de  judeus alsaceanos para o Brasil no século passado, questionei-me sobre a Alsácea  Lorena e o porquê da vinda de judeus daquela  região  da França.  Então  fui aos livros de História Geral  para  situar  a região, problemas da época e seus habitantes:
   Em 1870-1871 houve a Guerra Franco-Prussiana que foi uma das conseqüências da Unificação Alemã acontecida em 1866. Depois de um ano de guerra, os alemães venceram a França e os dois países assinaram um  armistício. Houve também a assinatura do Tratado de Frankfurt que obrigou a França a pagar uma alta soma em dinheiro aos alemães e entregar à Alemanha a região da Alsácea e parte da Lorraine. Foi nessa época que um grande número de judeus alsaceanos começou a chegar à América do Sul. Muitos ficaram no Rio de Janeiro ou foram para São Paulo e norte do Brasil, mas centenas deles vieram para o sul e se assimilaram. Isto tudo, bem antes da chegada dos imigrantes judeus russos trazidos pela ICA no início do século XX.
     Através de uma  informal pesquisa oral, confirmada na maior parte em material  escrito e editado, tomei conhecimento que, em 1896,  quando meu bisavô materno Salomão Levy, judeu marroquino chegou a Porto Alegre com a esposa Sarah Dray Levy, judia portuguesa e as duas filhas nascidas em Portugal e São Paulo,juntamente com seu amigo de infância, Samuel Barros (também nascido em Marrocos) e família, já havia na cidade alguns rapazes judeus oriundos da região francesa Alsácea-Lorena. Eram, na maioria, rapazes solteiros  fugidos da guerra franco-prussiana, empregados de firmas francesas  exportadoras ou representantes de algum negociante de joias que vinham ao Brasil trabalhar, em busca do sonho de uma vida estável no Novo Mundo, sem o anti-semitismo, que estava latente na França com o caso Dreiffus. Muitos vieram para serem comerciantes, embarcando em navios cargueiros que partiam dos portos de Bordeaux e Le Havre rumo à América. Centenas deles seguiram diretamente para Montevidéu e Buenos Aires.
Em Porto Alegre eles (alsaceanos e franceses de outras regiões também) chegavam sem conhecer ninguém, quase sempre escondendo sua descendência judaica, aos poucos assimilando-se, ao casarem com moças cristãs na Igreja Católica ou Protestante. Os que aqui ficaram eram, na maioria, ourives e joalheiros.
     A família Aaron, por exempo, tinha uma joalheria (a mais fina da época) na rua dos Andradas (onde depois foi a Casa Safira, de tecidos). Pertencia a Moysés e Emile Aaron que freqüentavam a casa de meu avô ,Dr. Léon Back, para conversarem em francês sobre o passado na Alsácea. Aqui eram completamente renegados, casados na Igreja Cristã assim como suas filhas e filhos. Outras informações que consegui: sobrenomes de antigas famílias radicadas no Rio Grande do Sul, como Calderón e Pereiron (em Pelotas) são de imigrantes judeus alsaceanos assimilados. Filhas daqueles Aaron (completamente assimiladas) casaram com rapazes de famílias conhecidas na sociedade; sobrenomes conhecidos como Ibañes, Daudt (donos da antiga Casa Bethoven,na Galeria Chaves) e Hecker, mãe do Dr. Paulo Hecker e avó de Paulo Hecker Flho são descendentes dos primeiros judeus alsaceanos que se assimilaram..  
                           
Bibliografia:
Dicionário Bibliográfico, Os judeus no Brasil no final do séc. XIX.
Egon e Frieda Wolff ( II) - Rio de Janeiro,1987
Dicionário Bibliog´rafico. Processos de Naturalização de Israelitas –
Séc. XIX, Rio de Janeiro, 1987.
Entrevista com Dr. Lén Back – 1962
Entrevista com Dr. Joely Back - 1992

*Pesquisa feita por Gladis Russowsky .Krimberg - agosto/1993.



                                      
 PASSAGENS DA LUTA DE UM POVO  
                                                                                   
                                                                                     Crônica de Gladis Krimberg 
   
 


    O que nos leva a recordar antigas histórias familiares é a comemoração dos 100 anos da imigração (oficial)  judaica no Rio Grande do Sul.
    O conteúdo emocional destas histórias nos motiva a relatar algumas passagens românticas e pitorescas sobre fatos e pessoas que, por circunstâncias, as mais distintas, acabaram por emigrar para o Brasil. A maturidade nos torna receptivas e estimula a valorização de experiências dos nossos antepassados, o que não ocorria quando éramos jovens, com a inerente inquietação da adolescência. É o resgate dos sentimentos existentes naquela época, que devem ser repassados às novas gerações.
    São histórias ricas de ternura, de amor, de comprometimento familiar e de muito sacrifício!
    Para se ter idéia sobre o início do movimento hoje comemorado, devemos nos reportar ao século passado, antes mesmo de Philippson, marco oficial desta era imigratória.  Através de relatos familiares, confirmados em publicações sobre o mesmo tema, tomamos conhecimento da existência de jovens judeus alsacianos e de outras regiões francesas em nosso estado antes de 1904.  A vinda destes jovens coincide com a Guerra Franco-Prussiana (1870-71), quando a França, vencida, entrega à Alemanha, a região da Alsácia e parte da Lorena. Nesses momentos de guerra, a vida dos judeus torna-se insustentável na Europa, devido ao anti-semitismo crescente e comprovado na França pelo caso Dreyffus.                                    
    Foi nessa época que um grande número de jovens alsacianos começou a chegar à América do Sul. Muitos dirigindo-se para São Paulo, Rio de Janeiro e norte do Brasil, porém centenas deles vindo para o sul; alguns ficaram em Porto Alegre e outros tantos seguiram para o Uruguai e Argentina.
    Eram, na maioria, rapazes solteiros, fugidos da guerra franco-prussiana, empregados de firmas francesas exportadoras ou trabalhando para algum negociante de jóias ,que vinham para o Brasil em busca do sonho de uma vida estável no Novo Mundo. Muitos vieram como comerciantes, embarcando em navios cargueiros que partiam dos portos de Bordeaux e  Le Havre rumo à América.
    Em Porto Alegre estes judeus alsacianos, franceses e alguns austríacos chegavam sem conhecer ninguém, quase sempre escondendo sua descendência judaica, aos poucos se assimilando ao casarem com moças cristãs, na igreja católica ou protestante,.Seus descendentes são hoje católicos e protestantes. Os que aqui ficaram eram, na maioria, ourives e joalheiros.
Nesta mesma época chegaram a nossa cidade as famílias de Salomão Levy e Salomão Barros, judeus portugueses de ascendência marroquina, que não escondiam sua religião e por isso eram procurados muitas vezes por aqueles judeus já assimilados em nossa sociedade, para poderem recordar
livremente a ascendência judaica.  Tanto é que, alguns deles , antes de morrer recomendaram a suas famílias que lhes mandassem fazer um enterro de acordo com o ritual judaico, pois  já existia na capital uma pequena comunidade. Esta atendia sempre tais pedidos quando lhe eram solicitados, apesar de se tratar de pessoas que não se tinham ligado a ela, mas eram judeus.
    Mas é na virada do século que a Jewish Colonization Association (ICA) compra no Estado do Rio Grande do Sul uma propriedade no município de Santa Maria, para instalar  a primeira colônia de imigrantes judeus no Brasil, que recebeu o nome do então vice-presidente da ICA, ou seja, Colônia  Philippson.  
     Em 1904 chegou a primeira leva de imigrantes formada por 37 famílias vindas da Bessarábia para serem agricultores no Brasil. O período inicial da vida desses colonos é rica em histórias tristes e alegres, duras e engraçadas, todas elas traduzindo a força de vontade de vencer num país onde seus filhos pudessem crescer livres do anti-semitismo, para tornarem-se cidadãos respeitados!
    Mal instalados, já trataram de abrir uma sinagoga e um cemitério e de organizar sua vida social, familiar e religiosa.
    A religião era importante e o imigrante Abrahão Steinbruch foi o primeiro chefe religioso, pois oficiava os cultos, algumas vezes fazendo também o papel de "Schochet" e outras tantas de "Mohel".
    Crianças,  havia muitas... e para ensinar português a elas a ICA contratou  o jovem Prof. Léon Back , "sub-diretor da École Horticole et Profissionnelle du Plessis-Piquet nos arredores de Paris, enviou-o por alguns meses à Lisboa para aprender o português e, depois, a Philippson, onde chegou em 5/6/1908 e instalou logo uma escola mista. Os alunos foram todos registrados na escola com seus nomes traduzidos e aportuguesados, influência esta advinda do professor. Assim, as "Mindl" transformaram-se em Manuelas  e os "Moiches" em Miguel ou Manuel. E todos conservaram para sempres os prenomes recebidos na escola de Philippson. Muitos alunos moravam em lotes distantes da escola e eram obrigados a percorrer a pé quilômetros e quilômetros para poderem aprender!  Levavam de casa uma marmita com comida , pois só conseguiam retornar  quando já era noite.         
    Outra curiosidade: entre os imigrantes estava Boris Wladimirsky. Ele era o "Feltcher", como se dizia na Bessarábia, uma espécie de médico (prático-licenciado) que atendia todos colonos, com exceção dos casos mais graves, quando  então os encaminhava para Santa Maria. Contam , que sua figura imponente, montada num grande cavalo branco, era respeitada e considerada por todos os habitantes da região.
    Outro aspecto curioso era o costume entre os judeus de casarem somente no religioso. Transcorrido algum tempo da chegada destes pioneiros, a administração da ICA tomou para si a iniciativa de realizar um casamento civil coletivo. Para tanto providenciou a vinda de um juiz de paz de São Martinho, município próximo de Philippson, que uniu mais de 20 casais pela Lei dos Homens. Para este evento a administração ofereceu um churrasco, ao qual compareceu a maioria dos colonos.
    Philippson foi uma etapa difícil para os imigrantes. Trabalharam arduamente uma terra árida e desconhecida que não frutificou como o esperado. Mas, a esperança os encorajava a continuar lutando contra todas as adversidades, levados pelo sentimento de sobrevivência em um país livre.
    E o tempo passou... E Philippson foi se despovoando...
    Alguns foram viver em Santa Maria, outros em Cruz Alta, Rio Grande, Pelotas e outras cidades do interior onde se tornaram, na maioria, comerciantes.
    Mas as gerações se sucederam. E os filhos estudaram e se tornaram "doutores" na capital. Todos com o mesmo passado, todos almejando o mesmo futuro!
    Cabe a nós a responsabilidade de preservar este patrimônio valioso, enriquecendo-o com nossa próprias experiências e transmitindo-o aos nossos descendentes. São movimentos importantes como este, do resgate da memória, que reforçam a intenção de manter viva a riqueza de nossas origens!